Agro
Páscoa de 2026: chocolate segue caro e indústria do cacau enfrenta incertezas no Brasil
Queda no preço internacional ainda não chega ao consumidor
A Páscoa de 2026 deve ser marcada por um cenário desafiador para o mercado de cacau no Brasil, com reflexos diretos no bolso do consumidor. Mesmo com a queda de cerca de 60% nas cotações internacionais das amêndoas em relação ao ano anterior, os preços do chocolate seguem elevados no varejo.
Esse descompasso ocorre porque parte significativa da indústria adquiriu matéria-prima quando os preços estavam em níveis mais altos. Além disso, mesmo após a retração recente, as cotações internacionais ainda permanecem elevadas em termos históricos.
Como consequência, ao longo de 2025, empresas adotaram estratégias como reajustes de portfólio, reformulação de produtos e repasses de preços, enquanto a demanda do consumidor continua pressionada.
Indicadores confirmam pressão nos preços de chocolates
Os dados de mercado reforçam o cenário de preços elevados. Na Europa, produtos derivados de cacau atingem os maiores níveis dos últimos anos. Já nos Estados Unidos, os índices de preços ao produtor e ao consumidor seguem altos, apesar de ajustes recentes.
No Brasil, itens como chocolate em barra e doces registraram variações superiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicando que os consumidores devem enfrentar uma Páscoa com produtos mais caros em 2026.
Brasil tem papel relevante no processamento global
Além do consumo interno, o Brasil ocupa posição estratégica na indústria global de cacau. O país aparece na oitava colocação no ranking mundial de processamento nas últimas cinco safras.
Essa relevância amplia o impacto de mudanças no fluxo comercial, especialmente em um contexto marcado por desafios relacionados à oferta, custos e demanda.
Dependência de importações aumenta preocupação com abastecimento
Um dos principais pontos de atenção do setor é o abastecimento de amêndoas. O Brasil possui capacidade de processamento superior à sua produção doméstica, o que torna necessária a importação para complementar a oferta.
Nos últimos cinco anos, cerca de 17% das amêndoas processadas no país vieram do exterior, sendo aproximadamente 80% originárias da Costa do Marfim.
Nesse cenário, a suspensão das importações desse fornecedor e alterações no regime de drawback elevam as incertezas quanto à continuidade da atividade industrial e ao fluxo de matéria-prima.
Comércio exterior apresenta comportamento misto em 2026
O início de 2026 mostra um desempenho desigual nas exportações brasileiras de derivados de cacau.
Entre janeiro e fevereiro, as exportações de pó de cacau recuaram 23% na comparação anual. Por outro lado, as vendas externas de manteiga de cacau cresceram 37% no mesmo período.
O movimento contrasta com o observado em 2025, quando houve aumento de 21% nas exportações de pó e queda de 13% nas de manteiga, evidenciando a volatilidade do setor.
Indústria enfrenta desafios operacionais e de demanda
As recentes mudanças no mercado aumentam as incertezas em relação ao abastecimento de amêndoas, ao fluxo comercial e ao rendimento industrial no Brasil.
Embora as exportações de manteiga e pó ainda estejam acima da média histórica em fevereiro, o cenário permanece desafiador tanto no médio quanto no longo prazo.
De acordo com Carolina França, a Páscoa deste ano reflete um momento de transição para o setor.
Perspectivas indicam alívio gradual, mas com cautela
Segundo a analista, a recente correção nos preços internacionais pode indicar algum alívio futuro, mas os efeitos ainda não são percebidos de forma clara pelo consumidor final.
Enquanto isso, a indústria segue operando em um ambiente de demanda fragilizada e enfrentando dificuldades adicionais relacionadas ao abastecimento e à dinâmica operacional no Brasil.
O resultado é uma Páscoa “agridoce” para o setor de cacau, marcada por preços ainda elevados e incertezas que devem continuar influenciando o mercado nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Adiada votação do projeto que cria incentivos às indústrias de fertilizantes
O Senado adiou para a primeira semana de agosto a votação do projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Prevista para esta terça-feira (14.07), a análise foi transferida após um acordo entre parlamentares e o governo para ajustar pontos fiscais e jurídicos da proposta.
O Profert pretende estimular a implantação de novas fábricas e a ampliação ou modernização das unidades existentes. A medida é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira do mercado externo. O País importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras, situação que deixa os produtores expostos à variação cambial, ao aumento dos fretes e a conflitos internacionais.
O projeto, de autoria do senador Laércio Oliveira, já foi aprovado pelo Senado, mas retornou à Casa depois de receber alterações na Câmara dos Deputados. O texto passou a incluir, além dos fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, bioinsumos, biofertilizantes, remineralizadores e as matérias-primas usadas na fabricação desses produtos.
A versão aprovada pelos deputados também cria o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes, destinado ao financiamento de projetos, e estabelece mecanismos de crédito fiscal e de financiamento de longo prazo.
O adiamento permitirá a apresentação de um projeto de lei complementar para corrigir possíveis problemas de constitucionalidade e adequar as renúncias tributárias às regras fiscais. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que as duas propostas deverão ser analisadas conjuntamente.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que o Profert e o projeto complementar serão votados no mesmo dia. A intenção é encaminhar as duas matérias simultaneamente à sanção presidencial, caso sejam aprovadas.
Durante a sessão, Laércio Oliveira criticou a condução das negociações pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Segundo o senador, o ministro Bruno Moretti deixou uma reunião convocada para discutir o projeto após divergências sobre o conteúdo da proposta. Laércio classificou a atitude como desrespeitosa e disse que permaneceu no encontro com Teresa Leitão.
Pelo texto em discussão, empresas habilitadas no Profert poderão adquirir máquinas, equipamentos, instrumentos e materiais de construção destinados aos projetos sem a cobrança de PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação. Conforme o tipo de operação, os benefícios poderão ser concedidos por suspensão do pagamento, redução da alíquota a zero ou isenção.
A proposta também alcança serviços vinculados aos empreendimentos e prevê instrumentos para ampliar o acesso a recursos privados. A concessão dos incentivos, no entanto, dependerá da aprovação dos projetos pelo Poder Executivo e do cumprimento das exigências fiscais estabelecidas na futura regulamentação.
Relatora da matéria, a senadora Tereza Cristina defendeu o fortalecimento da produção doméstica. Ela reconheceu que o Brasil dificilmente alcançará a autossuficiência, mas afirmou que ampliar a oferta nacional é necessário para reduzir os riscos enfrentados pela agropecuária em períodos de instabilidade internacional.
Com o acordo, o projeto permanece em regime de urgência e deverá retornar à pauta após o recesso parlamentar. As informações sobre o adiamento e o acordo para a votação conjunta foram confirmadas pelo Senado Federal.
Fonte: Pensar Agro
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