Paraná
Colégio agrícola de Castro atinge receita milionária com produção no ensino técnico
Com receita anual de R$ 2,3 milhões, a maior entre os colégios agrícolas estaduais, o Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Olegário Macedo, em Castro, nos Campos Gerais, é um exemplo da integração entre ensino técnico e produção agropecuária no estado. Além da vocação leiteira, com destaque para a produção de até 2 mil litros de leite por dia, a unidade também produz milho, soja e suínos.
Os recursos gerados pela pecuária e pela agricultura são integralmente reinvestidos na própria instituição, fortalecendo a infraestrutura e ampliando as condições de ensino em um modelo baseado na prática e na autossustentação, o que contribui para reduzir a dependência de recursos públicos.
Conforme o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, o modelo integra formação e desenvolvimento econômico. “O diferencial dos cursos técnicos é, justamente, aliar teoria e prática, preparando os estudantes para o mercado de trabalho e o ingresso no Ensino Superior. Ao formar jovens qualificados e ao mesmo tempo produzir com eficiência, a escola fortalece o agronegócio regional e amplia as oportunidades no campo”, afirma.
Com cerca de 120 servidores, a escola atende 340 alunos do Ensino Médio Técnico em tempo integral, dos quais 150 em regime de internato, com carga horária semanal de 48 horas. Do total de estudantes, 56% são mulheres.
Na prática, o colégio opera como um laboratório do agronegócio. Na pecuária leiteira, conta com cem animais, dos quais 50 são vacas em lactação, com produção diária de aproximadamente 2 mil litros de leite. Na agricultura, a produção anual alcança mil toneladas de milho para silagem, com produtividade média de 50 toneladas por hectare, além de cerca de cinco mil sacas de soja. Na suinocultura, são produzidos aproximadamente 500 animais por ano.
Toda a comercialização é realizada por meio da cooperativa escolar, em parceria com a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, uma das mais tradicionais do país no setor agropecuário. O modelo garante escoamento estruturado da produção, inserindo os estudantes em uma dinâmica real de mercado, com padrões profissionais de qualidade, logística e negociação.
Para o coordenador de Colégios Agrícolas da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), Renato Gondin, “a combinação entre alto volume de produção, geração de receita e consistência pedagógica coloca a unidade como referência nacional, ao evidenciar que é possível integrar educação pública de qualidade, formação técnica e eficiência produtiva em um único ambiente”, comenta.
O CEEP Olegário Macedo é o maior dentre os 32 colégios agrícolas da rede estadual. Instalada em uma área de 513 hectares, equivalente a cerca de 760 campos de futebol, a unidade mantém metade do território como Reserva Legal, acima do mínimo (20%) exigido por lei, integrando preservação ambiental ao processo formativo dos estudantes.
APOIOS INSTITUCIONAIS – O colégio conta, ainda, com auxílio de empresas e instituições do setor, como a New Holland, responsável pelos equipamentos usados em parte do plantio das lavouras do colégio; a Rolatrek, que presta serviços de manutenção e assistência técnica aos maquinários locais; a Bowman, no processo de produção de silagem de milho; e a Fazenda Portão Vermelho, fornecedora de matrizes genéticas de ovinos.
As parcerias envolvem diretamente os alunos nas atividades, ampliando a conexão com o mercado e os aproximando de tecnologias mais recentes e de excelência do agronegócio.
DESEMPENHO EDUCACIONAL – Ao final de 2025, os 120 alunos da 3ª série registraram 100% de aprovação no Ensino Médio. Do total, 30 ingressaram em cursos de Ciências Agrárias, principalmente na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), enquanto mais de 60% dos demais egressos foram inseridos no mercado de trabalho, sobretudo no setor agropecuário e no cooperativismo. O desempenho contribui para a consolidação do Paraná também como exportador de mão de obra qualificada para o agronegócio, com profissionais atuando em diferentes regiões do país.
Além disso, o colégio obteve nota 4,8 no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), acima da média nacional do Ensino Médio, de 4,3.
Para a diretora do CEEP Olegário Macedo, Sueli Marcondes Bueno, o principal diferencial pedagógico da instituição está na organização e na cooperação de um corpo docente qualificado, alinhado aos sonhos e objetivos dos alunos, no apoio contínuo dos funcionários e, sobretudo, na dedicação dos estudantes. “Certamente, o engajamento das famílias é essencial nesse processo, ao compreenderem e valorizarem a parceria com a escola na construção de um futuro promissor para os estudantes”, complementa.
FORÇA DO AGRO – A região de Castro, sede do colégio agrícola, está no centro de uma das mais importantes áreas produtivas do país. O município é líder nacional na produção de leite, com 484 milhões de litros anuais, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e integra uma das principais bacias leiteiras do Paraná – estado que alcançou, em 2025, a marca de 4,3 bilhões de litros destinados à indústria, com crescimento de 10% em relação ao ano anterior.
Paralelamente, o estado se consolida como uma das principais potências agrícolas do Brasil, com produção estimada em 45,3 milhões de toneladas de grãos em 2025, mantendo-se entre os maiores produtores nacionais. A soja lidera a produção estadual, seguida pelo milho, culturas que estruturam a base do agronegócio paranaense.
Nesse contexto, Castro se destaca também como um dos principais polos agropecuários do estado, ocupando a 3ª posição no ranking estadual de Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) – R$ 3,6 bilhões.
COLÉGIOS AGRÍCOLAS – A educação agrícola no Paraná conta com uma rede consolidada, com 32 colégios agrícolas estaduais espalhados por todas as regiões do Estado.
A metodologia de ensino das instituições é reconhecida pela integração entre Ensino Médio e Educação Profissional, atendendo principalmente estudantes de regiões rurais e jovens de famílias de pequenos produtores, contribuindo para a permanência dos jovens no campo com qualificação técnica e perspectivas de inserção no mercado de trabalho. Ao todo, mais de 8 mil estudantes são atendidos nas escolas agrícolas.
Fonte: Governo PR
Paraná
Seminário debaterá metodologia BIM para promover qualificação e eficiência na construção civil
Arquitetos, urbanistas e gestores públicos de todo o Estado participam em 23 de junho, em Curitiba, do Seminário Estadual BIM & Inovação. Promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR) em conjunto com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEIL), o evento foca na disseminação da modelagem BIM, com o objetivo de impulsionar a qualificação e o aperfeiçoamento do exercício profissional. O Estado já desponta no cenário nacional por possuir uma das políticas públicas mais avançadas em termos de inovação e tecnologia aplicada à infraestrutura.
O encontro visa preparar os profissionais para atender às novas exigências legais e normas técnicas que tornam mandatória a entrega de projetos com essa metodologia junto a prefeituras e órgãos estaduais. Diferente do modelo tradicional de representação gráfica em papel, o sistema integra em um único ecossistema dados complexos de orçamento, manutenção e detalhamento técnico de ponta.
A coordenadora da Estratégia BIM PR na SEIL, Lorreine Vaccari, reforçou o compromisso com a transformação digital. “Desde 2019, quando o Governo do Estado instituiu a Estratégia BIM PR, temos coordenado ações para a adoção gradual da metodologia. O seminário estadual reflete a cooperação técnica com o CAU/PR para engajar profissionais na aplicação do BIM”, disse. “O evento abordará desde conceitos fundamentais e ações governamentais até o uso de tecnologias como GIS e BIM em concursos públicos, estimulando a inovação para melhorar a gestão pública e a qualidade das obras”, acrescentou ela.
O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR), Walter Gustavo Linzmeyer, destacou que o papel da entidade vai muito além da fiscalização do exercício legal e da conduta ética, concentrando-se fortemente no suporte prático aos profissionais.
“O BIM é uma metodologia que exige um conhecimento técnico, muitas vezes, longe da qualidade que o profissional possa ter no dia a dia. Um curso ou uma capacitação é um momento que a gente encontra para explicar que estamos atendendo uma norma técnica, uma lei que visa praticamente todos os trabalhos dos arquitetos e urbanistas na entrega de um projeto, de um serviço que está sendo feito às prefeituras e ao Governo do Estado”, disse Linzmeyer.
IMPACTO PRÁTICO – De acordo o presidente do conselho, os resultados práticos da difusão desse conhecimento estruturam uma cadeia de valorização mútua entre os profissionais e a própria sociedade civil. Para os arquitetos, o domínio da plataforma retira o profissional do mercado comum e o insere em um grupo seleto de alta qualificação técnica.
Por outro lado, o investimento técnico blinda o erário e o consumidor final. A precisão gerada pela automação reduz drasticamente a necessidade de auditorias, evita aditivos contratuais por erros de cálculo e mitiga a modificação de valores ao longo da execução da obra.
“Ganha o profissional que se capacita e ganha a sociedade, com uma qualidade de serviço melhor e também e custos menores. E ganha-se a segurança de que as obras e aquele investimento que está sendo feito, seja no particular ou no público, aconteça da melhor forma possível”, concluiu o presidente do CAU/PR.
INSCRIÇÕES E PROGRAMAÇÃO – Os profissionais, estudantes e gestores públicos interessados em participar do Seminário Estadual BIM & Inovação devem se inscrever na plataforma Sympla. Como a entrada é gratuita e as vagas são limitadas, a orientação é que façam o credenciamento prévio no site do CAU/PR. O encontro será no Auditório Poty Lazzarotto, no Museu Oscar Niemeyer.
A grade de atividades foi estruturada em quatro módulos estratégicos que cobrem desde o alinhamento conceitual até as aplicações mais complexas da tecnologia no urbanismo. Na parte da manhã, os debates estarão concentrados no panorama governamental, com destaque para as ações de fomento do Governo do Estado e os parâmetros do Protocolo BIM PR.
O período da tarde será dedicado ao mercado privado, trazendo discussões sobre a implementação da metodologia em escritórios de arquitetura, habitação de interesse social e a inovadora integração entre os sistemas BIM e GIS. O evento será encerrado com uma mesa-redonda voltada ao uso da modelagem em concursos públicos de Arquitetura e Urbanismo.
Fonte: Governo PR
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