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IPCA-15 desacelera para 0,44% em março, com pressão de alimentos e passagens aéreas

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Inflação desacelera em março, mas segue disseminada

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,44% em março, segundo dados oficiais, ficando 0,40 ponto percentual abaixo da taxa observada em fevereiro (0,84%).

No acumulado de 12 meses, o índice soma 3,90%, abaixo dos 4,10% registrados anteriormente. Já o IPCA-E, indicador trimestral, ficou em 1,49%, também inferior ao mesmo período de 2025.

Apesar da desaceleração, todos os nove grupos pesquisados apresentaram alta, indicando que a inflação segue espalhada entre diferentes setores da economia.

Alimentação e bebidas lideram inflação e refletem pressão do agro

O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pelo resultado do mês, com alta de 0,88% e impacto de 0,19 ponto percentual no índice geral.

A alimentação no domicílio acelerou fortemente, passando de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março, refletindo principalmente o comportamento de produtos ligados à agropecuária. Entre os destaques de alta estão:

  • Açaí: +29,95%
  • Feijão-carioca: +19,69%
  • Ovo de galinha: +7,54%
  • Leite longa vida: +4,46%
  • Carnes: +1,45%

Por outro lado, alguns itens apresentaram queda, como:

  • Café moído: -1,76%
  • Frutas: -1,31%

A alimentação fora do domicílio desacelerou para 0,35%, com recuo no preço das refeições e aceleração nos lanches.

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O desempenho do grupo evidencia o impacto direto da cadeia agropecuária sobre a inflação, com variações influenciadas por clima, oferta e custos de produção.

Transportes têm impacto com passagens aéreas e tarifas

O grupo Transportes registrou alta de 0,21%, com destaque para as passagens aéreas, que subiram 5,94% e tiveram o maior impacto individual no índice do mês (0,05 p.p.).

Outros destaques incluem:

  • Ônibus intermunicipal: +1,29%
  • Táxi: +0,56%

Já o transporte urbano apresentou queda de -0,59%, influenciado por políticas de redução tarifária em diversas capitais, especialmente aos domingos e feriados.

Nos combustíveis, houve leve recuo de -0,03%, com queda nos preços do etanol, gasolina e gás veicular, enquanto o óleo diesel subiu 3,77%, fator relevante para custos logísticos e do agronegócio.

Despesas pessoais e saúde também pressionam índice

O grupo Despesas pessoais avançou 0,82%, impulsionado principalmente pelos custos com serviços bancários e empregado doméstico.

Já Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,36%, com aumento nos preços de planos de saúde e itens de higiene pessoal.

Habitação registra leve aceleração

O grupo Habitação subiu 0,24%, acelerando em relação ao mês anterior. O resultado foi influenciado principalmente pela energia elétrica residencial, com reajustes em concessionárias do Rio de Janeiro.

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A tarifa de água e esgoto também apresentou alta, refletindo reajustes em cidades como Belo Horizonte e Porto Alegre. Por outro lado, o gás encanado registrou queda em algumas regiões.

Variação regional: Recife lidera altas, Curitiba registra queda

Entre as regiões pesquisadas, dez das onze apresentaram inflação em março.

  • Maior alta: Recife (0,82%), puxada pelo aumento do tomate e da gasolina
  • Menor resultado: Curitiba (-0,06%), influenciada pela queda em combustíveis, frutas e taxas veiculares
Inflação segue pressionada por alimentos e custos do agro

Mesmo com a desaceleração do índice geral, o comportamento dos preços mostra que alimentos e itens ligados à agropecuária continuam sendo os principais vetores da inflação.

Além disso, custos de transporte — especialmente ligados a combustíveis e logística — seguem impactando a cadeia produtiva e o consumidor final.

O cenário indica que, apesar de uma inflação mais moderada, os preços permanecem sensíveis a fatores como clima, custos de produção e dinâmica global, mantendo atenção redobrada sobre alimentação, transportes e o desempenho do agronegócio nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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