Agro
Colheita ainda exige cautela: riscos climáticos podem comprometer a safra até o último grão
Colheita marca fase decisiva, mas ainda vulnerável
O mês de março marca o período de colheita de culturas como soja e milho no Rio Grande do Sul, simbolizando para muitos produtores o encerramento de um ciclo que envolve meses de planejamento, investimento e trabalho no campo. No entanto, especialistas alertam que, mesmo nessa etapa final, a safra ainda está sujeita a riscos relevantes.
De acordo com Daniel Tréz, coordenador de Seguros Rurais da Cabergs Seguros, é justamente entre a maturação das lavouras e a colheita efetiva que ocorre uma parcela significativa dos sinistros agrícolas registrados no estado.
Segundo ele, esse intervalo é crítico porque concentra o momento em que todo o investimento realizado começa a ser convertido em receita, tornando qualquer evento climático potencialmente prejudicial.
Período concentra maior exposição financeira do produtor
A fase de colheita representa um dos momentos de maior vulnerabilidade econômica no ciclo agrícola. Isso porque, nesse estágio, praticamente todos os custos já foram assumidos — incluindo sementes, fertilizantes, defensivos, combustível, maquinário e financiamentos — enquanto a produção ainda não foi comercializada.
Conforme explica Tréz, um evento climático nesse momento pode comprometer diretamente a produção, justamente quando o produtor ainda não conseguiu transformar o investimento em receita. Esse cenário torna a colheita um período de alta exposição financeira.
Impactos vão além da perda de produção
Os prejuízos nessa fase podem ocorrer de diferentes formas. Temporais, por exemplo, podem causar o tombamento das plantas, provocar a queda de grãos no solo ou dificultar o acesso das máquinas devido ao excesso de umidade.
Além disso, a umidade elevada pode favorecer o surgimento de fungos, causar danos físicos aos grãos e reduzir o peso da produção, impactando diretamente o valor de comercialização.
Clima imprevisível aumenta a preocupação no campo
A instabilidade climática no Rio Grande do Sul tem intensificado a preocupação dos produtores. Nos últimos anos, o estado enfrentou uma sequência de eventos extremos, como estiagens severas, chuvas intensas e enchentes históricas.
Esse cenário reforça a necessidade de estratégias de gestão de risco mais robustas. Para Tréz, cresce entre os produtores a percepção de que confiar apenas na produtividade pode ser insuficiente diante das variações climáticas.
Seguro agrícola ganha destaque na gestão de riscos
Diante desse contexto, o seguro agrícola tem se consolidado como uma importante ferramenta de proteção financeira. Mais do que resguardar a lavoura, ele atua na preservação do resultado econômico da atividade rural.
Além de minimizar perdas, o seguro contribui para que o produtor mantenha sua capacidade de honrar compromissos e planejar o próximo ciclo, mesmo após enfrentar adversidades climáticas.
Proteção do resultado e continuidade da atividade
Especialistas destacam que o seguro deve ser encarado como parte da estratégia de gestão da propriedade rural. Quando eventos climáticos atingem a fase final da safra, os impactos vão além da produção, afetando o custeio já realizado, a renda esperada e a continuidade da atividade.
Nesse cenário, o seguro deixa de ser visto como um custo adicional e passa a ser entendido como uma proteção essencial do resultado de meses de trabalho e investimento.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Queda no preço das terras em Goiás expõe desafios financeiros e novo cenário do agronegócio brasileiro
O agronegócio de Goiás, um dos mais relevantes polos de produção agropecuária do Brasil, enfrenta um momento de transformação marcado pela desvalorização das terras rurais, aumento do endividamento e pressão crescente sobre a rentabilidade do produtor. O cenário revela um novo equilíbrio no campo, em que escala produtiva já não garante estabilidade financeira.
A avaliação é de Fernando Liani, sócio da KPMG e líder do escritório da empresa em Goiânia. Segundo ele, a recente queda nos preços das propriedades rurais evidencia fragilidades estruturais que vêm ganhando força no setor agropecuário goiano.
“Mesmo operando com eficiência técnica, parte relevante dos produtores enfrenta margens comprimidas, acesso limitado a financiamento e crescente instabilidade financeira”, analisa Fernando Liani ao abordar o atual momento do agro em Goiás.
Goiás consolidou protagonismo no agronegócio brasileiro
Nas últimas décadas, Goiás ampliou sua relevância nas cadeias de:
- grãos;
- carnes;
- leite;
- algodão.
O crescimento foi impulsionado principalmente pela combinação entre:
- expansão da escala produtiva;
- adoção tecnológica;
- ganhos de produtividade;
- evolução dos sistemas de rastreabilidade.
Esse avanço consolidou o estado como um importante fornecedor tanto para o mercado interno quanto para o comércio internacional, especialmente nas exportações de commodities agrícolas.
Segundo Fernando Liani, a forte demanda externa, principalmente da China, ajudou a sustentar o crescimento do agro goiano nos últimos anos.
Desvalorização das terras rurais acende alerta no setor
Apesar do desempenho produtivo, o setor enfrenta uma deterioração financeira crescente.
De acordo com a análise de Fernando Liani, propriedades rurais em Goiás vêm sendo negociadas por valores significativamente abaixo dos registrados em ciclos anteriores. Em alguns casos, os preços atuais se aproximam da metade dos valores históricos observados no mercado de terras agrícolas.
O movimento está relacionado a fatores como:
- aumento do endividamento rural;
- juros elevados;
- restrição ao crédito;
- crescimento das recuperações judiciais no campo;
- pressão sobre margens operacionais.
A queda no valor das terras, tradicionalmente consideradas um dos principais ativos do produtor rural, reforça a preocupação com a sustentabilidade econômica da atividade agropecuária.
Dependência de commodities amplia vulnerabilidade do agro
Fernando Liani destaca que a elevada dependência de grandes compradores internacionais e de produtos com menor valor agregado aumenta a exposição do setor aos riscos globais.
Segundo ele, questões comerciais, sanitárias e regulatórias podem impactar diretamente a estabilidade financeira do agro brasileiro.
Nesse contexto, mercados mais exigentes, como a União Europeia, surgem como oportunidade de diversificação e agregação de valor, embora imponham exigências rigorosas relacionadas a:
- sustentabilidade;
- rastreabilidade;
- origem da produção;
- conformidade ambiental.
Tecnologia e rastreabilidade ganham papel estratégico
O especialista avalia que Goiás avançou significativamente em soluções de controle e monitoramento da produção agropecuária.
Entre os destaques estão:
- integração lavoura-pecuária;
- sistemas digitais de monitoramento;
- protocolos sanitários;
- rastreabilidade bovina;
- adequação a programas como o SISBOV e o protocolo “Boi China”.
Segundo Fernando Liani, ferramentas como:
- blockchain;
- inteligência artificial;
- plataformas avançadas de rastreabilidade;
- podem se tornar fundamentais para ampliar competitividade, reduzir custos e facilitar acesso a mercados premium.
Essas tecnologias também podem contribuir para uma distribuição mais equilibrada de valor ao longo da cadeia produtiva.
Equidade de valor será decisiva para futuro do agro
Na avaliação do sócio da KPMG, um dos principais desafios do agro brasileiro está na fragmentação da cadeia produtiva, que dificulta uma divisão mais equilibrada dos ganhos entre produtores, indústria e exportadores.
Para Fernando Liani, o futuro do agronegócio goiano dependerá menos da capacidade de produzir em larga escala e mais da habilidade de adaptação às novas exigências do mercado global.
“A estabilidade dependerá de uma diversificação comercial mais inteligente, enquanto a sustentabilidade econômica passa, inevitavelmente, pela equidade de valor”, afirma Fernando Liani.
O especialista conclui que o atual cenário representa um ponto de inflexão para o agro brasileiro, exigindo maior coordenação entre os elos da cadeia, inovação tecnológica e capacidade de resposta rápida diante das mudanças regulatórias e econômicas globais.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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