Agro
Tensão no Irã pode impulsionar arrecadação de impostos sobre combustíveis no Brasil
Crise no Oriente Médio eleva temor sobre oferta global de petróleo
A escalada de tensões no Irã reacendeu as preocupações com a estabilidade da oferta global de petróleo e já começa a influenciar os preços internacionais da commodity. Com o aumento das dificuldades logísticas para escoamento da produção iraniana, analistas projetam uma alta no preço do barril, o que tende a refletir no mercado brasileiro nas próximas semanas.
Devido à política de alinhamento de preços da Petrobras ao mercado internacional, o impacto sobre os combustíveis vendidos no país costuma ocorrer em um intervalo de 15 a 30 dias. A expectativa é de reajustes em gasolina, etanol e diesel, sendo este último o mais sensível, já que é o principal combustível utilizado no transporte de cargas em todo o território nacional.
Aumento do diesel pode gerar efeito dominó na economia
O possível aumento do diesel tende a provocar um efeito em cadeia sobre fretes, alimentos e produtos industrializados, ampliando a pressão inflacionária. Especialistas alertam que o encarecimento do transporte é o primeiro reflexo perceptível, levando empresas a repassar custos e elevando os preços ao consumidor final.
Economistas destacam que o cenário é de atenção redobrada, pois a alta dos combustíveis pode dificultar a manutenção da estabilidade de preços, em um momento em que a inflação segue sob monitoramento rigoroso pelo Banco Central do Brasil.
Alta dos combustíveis deve impulsionar arrecadação de impostos
Embora a elevação dos preços traga desafios econômicos, ela também gera efeitos tributários indiretos positivos para os cofres públicos. Isso ocorre porque a base de cálculo de tributos como ICMS, PIS/Cofins e Cide-combustíveis aumenta proporcionalmente ao preço final dos combustíveis, elevando a arrecadação sem necessidade de alterações legislativas.
Segundo o advogado tributarista Felipe Azevedo Maia, especialista em Direito Tributário e sócio-fundador da AZM Advogados Associados, o movimento é um reflexo direto do mercado internacional.
“Quando o preço do combustível sobe, a base de cálculo dos tributos sobe junto. Isso significa que ICMS, PIS/Cofins e Cide passam a gerar arrecadação maior, mesmo sem qualquer mudança de alíquotas”, explica Maia.
Efeito fiscal pode ser neutralizado pela perda de poder de compra
Apesar do possível aumento na arrecadação, especialistas ressaltam que o ganho fiscal ocorre em um contexto de queda no poder de compra e retração do consumo. O próprio Felipe Maia pondera que o impacto pode ser temporário.
“O problema é que esse incremento tributário vem acompanhado de inflação e redução do consumo, o que pode neutralizar ou até inverter o ganho fiscal ao longo do tempo”, afirma o tributarista.
Dessa forma, o cenário aponta para um equilíbrio delicado entre alta de receitas públicas e perda de dinamismo econômico, em um momento em que o país ainda busca consolidar sua recuperação pós-pandemia e manter o controle sobre os índices de preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Crédito rural para a agricultura empresarial soma R$ 107,1 bilhões nos três primeiros meses da safra 2026/2027
O crédito rural destinado à agricultura empresarial somou R$ 107,1 bilhões nos três primeiros meses da safra 2026/2027, de julho a setembro de 2026. O montante considera as operações de crédito rural contratadas por produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e os Demais Produtores Rurais e os recursos captados por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR).
Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central do Brasil, e das registradoras de CPR – B3, CERC e CRDC.
As CPRs responderam por R$ 50,3 bilhões do total, o equivalente a 46,9% dos recursos contabilizados no período. Os títulos permitem ao produtor obter recursos mediante o compromisso de entrega futura de produtos agropecuários. Já o custeio convencional somou R$ 36,4 bilhões, correspondentes a 34% do total.
CUSTEIO, COMERCIALIZAÇÃO E INDUSTRIALIZAÇÃO
Do total destinado ao custeio da produção, os produtores classificados na categoria Demais Empresarial contrataram R$ 20 bilhões, o equivalente a 54,8% do total dessa modalidade. O Pronamp, linha voltada a produtores de médio porte, registrou R$ 16,5 bilhões, correspondentes a 45,2%.
As operações de crédito para comercialização da produção agropecuária somaram R$ 8 bilhões no período. Já as destinadas à industrialização, que financiam o processamento e a agregação de valor aos produtos agropecuários, alcançaram R$ 5 bilhões.
Os programas de investimento, voltados à aquisição de máquinas, equipamentos, irrigação e modernização de estruturas produtivas, somaram R$ 7,4 bilhões em contratações no trimestre. Entre os programas específicos, destacam-se o Pronamp Investimento R$ 1,019 bilhão e o RenovAgro, com R$ 845 milhões.
Por se tratar dos primeiros meses da safra, o volume contratado nos programas de investimento ainda é inicial em relação à programação orçamentária anual, com avanço esperado à medida que as instituições financeiras realizem novas contratações.
SEGMENTAÇÃO POR PORTE DO PRODUTOR
Na análise por segmento, o grupo de Demais Produtores Rurais (fora do Pronamp) registrou R$ 39,3 bilhões, equivalentes a 36,7% do total concedido no período. O Pronamp contabilizou R$ 17,6 bilhões, ou 16,4% do total.
Ao todo, foram registrados 116.274 contratos de crédito rural na agricultura empresarial, dos quais 36.638 operações de CPR, evidenciando a participação desse instrumento na estrutura de financiamento do setor nos primeiros meses da safra.
DISTRIBUIÇÃO REGIONAL
A região Sul concentrou o maior volume de crédito rural entre as regiões brasileiras, com R$ 18,6 bilhões e 36.089 contratos. Em seguida, aparecem o Sudeste, com R$ 17,8 bilhões, e o Centro-Oeste, com R$ 12,7 bilhões. O Nordeste e o Norte registraram, respectivamente, R$ 4,9 bilhões e R$ 2,8 bilhões.
O levantamento também aponta diferenças no valor médio das operações de crédito entre as regiões. O Centro-Oeste apresentou o maior tíquete médio, de R$ 1,07 milhão por contrato. Na sequência, aparece o Nordeste, com R$ 960 mil, resultado que reflete, em parte, contratações na Bahia, no Maranhão e no Piauí, estados que integram a região conhecida como Matopiba, importante fronteira agrícola de produção de grãos. Já o Sul, apesar de liderar em número de contratos e em volume de crédito, apresentou o menor tíquete médio, de R$ 515,1 mil, indicando maior pulverização das operações.
FONTES DE RECURSOS
Entre as fontes controladas de financiamento, os Recursos Obrigatórios – parcela dos depósitos à vista que os bancos são obrigados a destinar ao crédito rural – somaram R$ 13,5 bilhões, correspondentes a 32% do total dessas fontes. A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada resgitrou R$ 12,4 bilhões, ou 30%.
Entre as fontes não controladas, formadas por recursos captados livremente pelas instituições financeiras no mercado, a LCA Livre foi a principal, com R$ 12,2 bilhões destinados ao crédito rural.
RECURSOS EQUALIZÁVEIS
A programação de recursos equalizáveis para a safra 2026/2027 totaliza R$ 97,6 bilhões, conforme a Portaria MF nº 2.922/2026. Essas linhas de crédito contam com taxas de juros equalizadas pelo governo federal, com cobertura diferencial em relação às taxas de mercado por recursos do Tesouro Nacional.
Nos três primeiros meses da safra, foram concedidos R$ 20,4 bilhões em recursos equalizáveis. O volume corresponde a parte da programação prevista para o cliclo e pode avançar ao longo da safra, conforme as instituições financeiras realizem novas contratações.
Entre os programas de investimento equalizáveis, o Pronamp concentrou o maior volume concedido no período, com R$ 942,3 milhões, seguido pelo RenovAgro, com R$ 841,4 milhões, e pelo Moderfrota, com R$ 639,9 milhões.
Nas operações de investimento equalizáveis, o BNDES e o Banco do Brasil concentraram, juntos, cerca de 73% das concessões do período, com participações de 39,4% e 33,9%, respectivamente. Nas linhas de custeio equalizáveis, o Banco do Brasil liderou, com 43,7% das concessões, seguido pelo Sicredi, com 15,8%, e pela Cresol. com 10,5%.
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