Connect with us


Agro

Produção global de algodão cresce e o impacto da política econômica do Banco Central do Brasil em 2026

Publicado em

Total mundial de algodão previsto em alta no ciclo 2025/26 pelo USDA

A produção global de algodão deve crescer 1,12% no ciclo 2025/26, segundo a mais recente estimativa do United States Department of Agriculture (USDA). De acordo com análise divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o total produzido mundialmente está projetado em 26,10 milhões de toneladas, com destaque para crescimentos esperados na China, Brasil e Índia.

Apesar da elevação na oferta, o consumo global de algodão foi estimado em 25,85 milhões de toneladas, levemente inferior ao mês anterior (queda de 0,17%) e estável em relação à safra anterior. O aumento de oferta deve resultar em estoques finais maiores, calculados em 16,35 milhões de toneladas, o maior volume desde o ciclo 2022/23, reforçando a expectativa de maior disponibilidade de algodão no mercado global.

Dinâmica do consumo e comércio mundial de algodão

O relatório do USDA ainda indica que as projeções de exportações para 2025/26 estão 3,06% acima da temporada anterior. Este movimento de comércio internacional, impulsionado pela maior produção, pode alterar a dinâmica de preços e equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do ciclo agrícola. Conforme o Imea, essa maior disponibilidade global pode influenciar negativamente as cotações se os estoques continuarem elevados, principalmente em períodos de menor consumo no mercado interno e externo.

Leia mais:  Trigo pode ganhar até 423 kg por hectare com manejo fisiológico em cenário de El Niño
Contexto macroeconômico do Brasil em 2026 segundo o Banco Central

O cenário global de commodities, como o algodão, não se dissocia do ambiente macroeconômico doméstico. O Banco Central do Brasil mantém atualmente uma política monetária que busca equilibrar inflação e crescimento econômico diante de desafios externos e internos. Os dados mais recentes mostram que a meta de inflação para 2025 é 3,00% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%, segundo os relatórios de política monetária. A inflação acumulada em 2025 retornou à faixa de tolerância após oscilações no ano passado, reflexo de medidas adotadas pelo comitê de política monetária (Copom).

Além disso, o Banco Central monitora indicadores como o IBC-Br, índice que antecipa a atividade econômica do país, incluindo o desempenho do setor agrícola. O agronegócio tem contribuído de forma consistente para a atividade econômica e foi um dos segmentos que ajudou a manter o IBC-Br positivo em momentos de desaceleração de outros setores.

Efeitos de juros e crédito rural sobre a produção agrícola

O ambiente de juros elevados e condições de crédito também influencia diretamente a produção agrícola no Brasil. Com a taxa Selic mantida em níveis historicamente altos em 15% ao ano para conter a inflação, os custos de financiamento do setor estão sob atenção dos produtores rurais, especialmente em culturas intensivas em capital como o algodão. Isso impacta tanto os investimentos em tecnologia quanto a capacidade de rotação de crédito para custeio e comercialização da safra.

Leia mais:  Pedido de vista adia decisão sobre moratória da soja no STF; especialistas destacam reconhecimento da validade do acordo

Dados do Plano Safra, o principal programa de crédito rural do país, indicam um volume recorde de recursos disponibilizados ao agronegócio brasileiro, o que atenua parte dos efeitos dos juros altos e garante recursos para custeio, investimentos e comercialização agrícola, favorecendo setores produtores de algodão, soja, milho e outros.

Projeções de mercado e perspectivas para 2026

As projeções do Relatório Focus, pesquisa semanal consolidada pelo Banco Central, apontam expectativas ajustadas para os principais indicadores macroeconômicos, como inflação, taxa de câmbio, crescimento do PIB e taxa básica de juros (Selic). Essas estimativas influenciam decisões dos produtores rurais e empresas ligadas à cadeia têxtil e algodoeira, que dependem de custos financeiros, perspectivas de consumo interno e preço de commodities no mercado internacional.

Com a produção mundial em alta e um cenário interno de inflação controlada — ainda que sob juros elevados — o setor algodoeiro brasileiro e global observa um momento de oferta superior à demanda, o que pode pressionar preços no curto prazo, mas também garante maior disponibilidade da fibra para o mercado têxtil e industrial ao longo do ano.

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook

Agro

Soja despenca em Chicago, trava negócios no Brasil e mantém preços estáveis no mercado físico

Published

on

A forte desvalorização dos contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) marcou o mercado ao longo da semana e contribuiu para a paralisação das negociações no Brasil. Mesmo com a valorização do dólar frente ao real, o recuo das cotações internacionais reduziu o interesse dos agentes do mercado e manteve a comercialização em ritmo lento nas principais regiões produtoras do país.

A combinação entre a queda expressiva em Chicago e o feriado da última quinta-feira diminuiu a liquidez do mercado brasileiro. Como resultado, os preços da oleaginosa permaneceram praticamente inalterados nos principais polos de comercialização.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos seguiu cotada a R$ 126,00 durante toda a semana. Em Cascavel (PR), o valor permaneceu em R$ 121,00 por saca. Já em Rondonópolis (MT), a referência ficou em R$ 110,00. No Porto de Paranaguá (PR), importante termômetro das exportações brasileiras, a cotação se manteve em R$ 132,00 por saca.

Chicago atinge menor nível desde fevereiro

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja com vencimento em julho, os mais negociados do mercado, acumularam perdas superiores a 5% na semana. Na manhã desta sexta-feira (5), o contrato era negociado a US$ 11,26 por bushel, o menor patamar registrado desde o início de fevereiro.

Leia mais:  Demanda pelo arroz começa a reagir, mas preços seguem em queda, aponta Cepea

A pressão baixista está diretamente relacionada aos fundamentos globais da oferta. As condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos seguem beneficiando o desenvolvimento das lavouras, reforçando as expectativas de uma safra cheia na temporada 2026/27.

Além disso, o mercado já começa a revisar para cima as projeções de produtividade das lavouras norte-americanas. O cenário se soma às safras robustas colhidas recentemente por Brasil e Argentina, ampliando a disponibilidade global da commodity e aumentando a pressão sobre os preços internacionais.

Demanda chinesa ainda decepciona mercado

Pelo lado da demanda, os investidores seguem atentos ao comportamento das importações chinesas. Apesar do acordo comercial firmado entre China e Estados Unidos em maio, o mercado ainda não observa uma retomada consistente das compras chinesas de soja norte-americana.

A ausência desse movimento limita o potencial de recuperação das cotações e reforça o ambiente de cautela entre os participantes do mercado internacional.

Relatório do USDA e tensão geopolítica seguem no radar

Nas próximas semanas, dois fatores devem continuar influenciando os preços da soja.

Leia mais:  Pedido de vista adia decisão sobre moratória da soja no STF; especialistas destacam reconhecimento da validade do acordo

O primeiro é o relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na próxima quinta-feira, dia 11. O documento poderá trazer novas revisões para produção, estoques e exportações da oleaginosa.

O segundo fator é a escalada das tensões no Oriente Médio, que continua gerando volatilidade nos mercados financeiros e energéticos. O impacto sobre os preços do petróleo e o comportamento dos investidores permanecem no centro das atenções.

Dólar sobe, mas não consegue compensar perdas externas

No mercado cambial, o dólar apresentou valorização ao longo da semana, impulsionado pelas incertezas geopolíticas, preocupações com a inflação global e pela expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos.

A moeda norte-americana avançou cerca de 1,4% frente ao real no período, voltando ao patamar de R$ 5,12.

Apesar do movimento favorável para as exportações brasileiras, a alta do câmbio não foi suficiente para neutralizar o impacto negativo provocado pela forte queda das cotações em Chicago, mantendo o mercado doméstico praticamente paralisado e com poucas alterações nos preços da soja.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continuar lendo

Mais Lidas da Semana

Copyright © 2019 - Agência InfocoWeb - 66 9.99774262