Agro
Expansão das usinas de etanol de milho impulsiona cultivo de sorgo no Matopiba e no Centro-Oeste
O avanço das usinas de etanol de milho no país tem aberto espaço para uma nova protagonista no campo: o sorgo. Mais resistente à seca e a pragas do que o milho, a cultura vem ganhando espaço em diferentes regiões brasileiras, especialmente no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e no Centro-Oeste. A movimentação é impulsionada por novas indústrias que passaram a adotar o cereal como matéria-prima complementar para a produção de biocombustíveis.
Produtores garantem novos contratos com a chegada da Inpasa à Bahia
O produtor Augusto José Montani, de São Desidério (BA), cultiva sorgo há oito anos, mas só agora vê o mercado se consolidar. Ele firmou contrato com a Inpasa, que assumiu o compromisso de comprar sua colheita para abastecer a nova usina de etanol à base de cereais no oeste baiano.
A entrada da empresa na região tem estimulado outros produtores a seguir o mesmo caminho, ao oferecer uma compra garantida do cereal. Outra iniciativa semelhante ocorre em Alagoas, onde a cooperativa Pindorama também está fomentando o plantio de sorgo para atender à produção de etanol em Coruripe.
Área plantada deve crescer 10% na safra 2025/26
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área de sorgo no Brasil deve aumentar 10% na safra 2025/26, totalizando 1,796 milhão de hectares, após um avanço de 12% no ciclo anterior. Em dois anos, o incremento ultrapassará 300 mil hectares.
O crescimento ocorre em todas as regiões do país, com destaque para o Centro-Oeste, onde estão concentradas as principais usinas de etanol de milho. A região deve ampliar a área cultivada em 118 mil hectares no período. O Sudeste deve acrescentar 108 mil hectares, e o Nordeste, 69 mil hectares.
Sorgo se destaca pela resistência e menor custo de produção
Além de sua adaptabilidade, o sorgo tem se mostrado uma alternativa mais econômica ao milho. O custo de produção em áreas de sequeiro gira em torno de R$ 3 mil por hectare, enquanto no milho esse valor varia entre R$ 7 mil e R$ 8 mil.
“A cultura é mais rústica e demanda menos água”, explica Montani. O sorgo também sofre menos com pragas, como lagartas e cigarrinhas, o que reduz o uso de defensivos. Com produtividade entre 100 e 120 sacas por hectare, o produtor baiano afirma obter receita de até R$ 6 mil por hectare, alcançando margens de lucro próximas de 40%, o dobro das registradas com o milho.
Na fazenda de Montani, a área dedicada ao sorgo triplicará — passando de 1,5 mil para 4,5 mil hectares neste ano. Segundo ele, o avanço ocorre sobre áreas que antes ficavam ociosas após a soja. “Onde não tínhamos safra, agora temos uma safrinha de sorgo. É um ganho considerável”, afirma.
Indústria e pesquisa apontam potencial de crescimento
A usina da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães (BA) deve iniciar operações neste primeiro trimestre, e muitos produtores já têm contratos para fornecer sorgo à empresa. A unidade de Balsas (MA), inaugurada em agosto de 2025, também utiliza o cereal em mistura com o milho no processo produtivo.
Segundo Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da companhia, o volume processado ainda não foi divulgado, mas já é considerado “relevante” pela empresa.
Frederico Botelho, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, destaca que o sorgo apresenta vantagens em regiões com déficit hídrico, como o oeste da Bahia, onde o cultivo de milho na safrinha é limitado. “Quando o estresse hídrico é alto, o milho pode morrer. O sorgo apenas interrompe o crescimento, mas resiste”, explica.
Cultura ganha espaço mesmo em regiões úmidas
De acordo com Botelho, o sorgo também tem potencial em áreas com maior volume de chuvas, onde o milho enfrenta maior incidência de pragas. No Paraná, por exemplo, a cigarrinha do milho tem causado perdas significativas, enquanto o sorgo é imune à doença do enfezamento.
Embora ainda apresente limitações quanto à tolerância a herbicidas, novas tecnologias não transgênicas de mutação genética vêm ampliando a proteção da cultura contra ervas daninhas.
O pesquisador acredita que o avanço das indústrias de etanol consolidará a Bahia como o maior produtor nacional de sorgo nos próximos anos. “O mercado está em franca expansão, e o sorgo tem todas as condições de se tornar uma das culturas mais importantes do Matopiba”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Exportações de carne bovina do Brasil disparam em maio e receita supera US$ 1,3 bilhão
As exportações brasileiras de carne bovina seguem em forte ritmo de crescimento em maio de 2026, impulsionadas pela valorização da proteína animal no mercado externo e pelo avanço consistente dos embarques. Até a terceira semana do mês, o faturamento acumulado das vendas externas alcançou US$ 1,321 bilhão, superando todo o resultado obtido em maio de 2025, quando a receita somou US$ 1,134 bilhão.
O desempenho reforça a competitividade da carne bovina brasileira no comércio global e mantém o setor pecuário atento aos impactos positivos da demanda internacional sobre o mercado interno.
Preço médio da carne bovina exportada registra forte valorização
O principal fator por trás do crescimento da receita foi a expressiva valorização do preço médio pago pela carne bovina brasileira no exterior.
Até a terceira semana de maio de 2026, a tonelada da proteína exportada foi negociada, em média, a US$ 6.492,4. No mesmo período do ano passado, o valor médio era de US$ 5.202,2 por tonelada.
A alta demonstra maior valorização da carne brasileira nos mercados compradores e amplia a rentabilidade das exportações realizadas pelos frigoríficos nacionais.
Outro indicador que reforça o bom momento do setor é a receita média diária. Em maio deste ano, o faturamento diário das exportações chegou a US$ 88,072 milhões, avanço de 63,1% em relação aos US$ 54,005 milhões registrados em maio de 2025.
Embarques de carne bovina mantêm ritmo acelerado
Além da valorização dos preços, o volume exportado também segue elevado em 2026.
Até a terceira semana de maio, o Brasil embarcou 203,480 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada. O volume já se aproxima do total exportado durante todo o mês de maio do ano passado, quando os embarques fecharam em 218,003 mil toneladas.
Na média diária, os embarques atingiram 13,565 mil toneladas em maio de 2026, acima das 10,381 mil toneladas por dia registradas no mesmo período de 2025.
O desempenho confirma a continuidade da demanda internacional aquecida pela proteína brasileira, mesmo diante de um cenário global ainda marcado por oscilações econômicas e custos elevados de produção em diferentes países.
Demanda externa fortalece pecuária brasileira
A valorização da carne bovina exportada impacta diretamente toda a cadeia pecuária nacional. Com maior rentabilidade nas vendas externas, os frigoríficos exportadores tendem a intensificar a demanda por animais prontos para abate no mercado interno.
O movimento é acompanhado de perto pelos pecuaristas, já que o mercado internacional exerce forte influência sobre os preços do boi gordo e sobre a dinâmica de compra da indústria frigorífica.
Além disso, o aumento do valor agregado da proteína brasileira reforça a posição do Brasil entre os principais fornecedores mundiais de carne bovina, sustentado pela escala de produção, competitividade e capacidade de atender grandes mercados consumidores.
Mercado acompanha fechamento das exportações de maio
O setor pecuário segue atento ao desempenho das exportações nas próximas semanas, já que o fechamento completo de maio poderá consolidar um dos melhores resultados recentes para a carne bovina brasileira.
A expectativa do mercado é de continuidade da demanda externa firme ao longo de 2026, especialmente diante da necessidade global de abastecimento regular de proteínas animais.
Com preços mais altos e embarques em ritmo forte, a carne bovina brasileira mantém protagonismo no comércio internacional e fortalece a geração de receita para a cadeia exportadora do agronegócio nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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