Agro
Supersafra e demanda fraca derrubam preço do arroz ao menor nível em 14 anos, aponta Cepea
Produção recorde pressiona mercado do arroz em 2025
O mercado brasileiro de arroz atravessou um ano desafiador em 2025. A combinação entre alta oferta nacional, estoques globais elevados e baixa demanda — tanto interna quanto externa — provocou uma forte queda nos preços do cereal.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o preço do arroz em casca caiu a níveis não vistos desde 2011, refletindo o impacto direto da supersafra 2024/25 e da desaceleração no consumo.
Alta rentabilidade anterior impulsionou plantio e investimentos
O ciclo 2024/25 foi marcado pelo efeito dos valores recordes registrados em 2024, quando os produtores alcançaram uma das maiores margens de rentabilidade da história recente. Esse cenário estimulou uma expansão moderada da área plantada e o reforço dos investimentos em tecnologia e manejo nas lavouras.
Com o clima favorável desde o início da semeadura, as principais regiões produtoras — especialmente no Sul do País — apresentaram elevada produtividade, contribuindo para o expressivo crescimento da produção.
Produção cresce mais de 20% e aumenta oferta no mercado interno
Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2024/25 deve alcançar 12,76 milhões de toneladas, o que representa alta de 20,6% em relação ao ciclo anterior (2023/24).
Esse aumento expressivo na produção, aliado ao enfraquecimento da demanda, gerou dificuldades no escoamento do arroz beneficiado pelas indústrias e reduziu o ritmo de compras no varejo, diante da resistência do consumidor e da queda dos preços ao longo da cadeia.
Preços atingem menor nível desde 2011
O Indicador CEPEA/IRGA-RS — que considera arroz com 58% de grãos inteiros e pagamento à vista — apresentou quedas sucessivas ao longo de 2025. A média anual ficou em R$ 71,84 por saca de 50 kg, uma redução de 53,2% em relação à média de 2024.
Em termos reais, considerando a correção pelo IGP-DI, o valor do arroz em casca atingiu o menor patamar desde junho de 2011, evidenciando a forte pressão do mercado sobre os preços e a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos ciclos.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Projeto de R$ 20 bi da Ferrogrão ganha sinal verde para ligar Sinop a Miritituba
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos impasses mais arrastados da infraestrutura nacional ao declarar a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, norma que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão (EF-170). Por um placar de 9 votos a 1, o veredito joga por terra o principal obstáculo jurídico que mantinha congelado o projeto de 933 quilômetros de trilhos, planejado para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.
A decisão foi recebida pelo agronegócio como um marco regulatório essencial para atrair os R$ 20 bilhões em investimentos privados necessários para tirar a obra do papel. Sob a perspectiva macroeconômica, a Ferrogrão é vista como o eixo de ruptura da dependência crônica do modal rodoviário na BR-163, com potencial para reduzir em até 20% o custo do frete de commodities agrícolas, como soja e milho, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que atuou no processo, aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram atualmente cerca de 70% da produção nacional de grãos, mas os portos do Arco Norte escoam apenas 34% desse volume. A consolidação da ferrovia deve acelerar o redirecionamento desse fluxo, aliviando o gargalo logístico dos portos das regiões Sul e Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).
O julgamento foi balizado pelo voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou os argumentos de descumprimento de salvaguardas ambientais apresentados na ação original do PSOL. Moraes argumentou que o texto legal previu a devida compensação ecológica pela redução da unidade de conservação e destacou que o traçado ferroviário não intercepta terras indígenas homologadas, situando-se a quatro quilômetros da reserva mais próxima, a Terra Indígena Praia do Mangue.
O julgamento, que havia sido interrompido no ano passado, foi concluído com o voto do ministro Flávio Dino. Ao acompanhar o relator, Dino propôs condicionantes para a execução do projeto, determinando que qualquer alteração futura no perímetro da ferrovia não poderá afetar áreas indígenas em um raio de 250 quilômetros, além de defender que as comunidades tradicionais sejam ressarcidas ou tenham participação nos lucros caso sejam registrados impactos socioambientais imprevistos.
O único voto divergente foi do ministro Edson Fachin, que considerou inconstitucional a alteração de reservas ambientais por meio de Medida Provisória, rito utilizado na origem do projeto durante o governo de Michel Temer.
Com o desfecho na Suprema Corte, o projeto da Ferrogrão sai da arena jurídica e ingressa na fase de viabilidade técnica. O Ministério dos Transportes informou que aguarda a conclusão da análise de modelagem de concessão e matriz de riscos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar o edital de leilão.
Lideranças do setor produtivo, como a Aprosoja Brasil, avaliam que a segurança jurídica conferida pelo STF deve acelerar o crivo da Corte de Contas, posicionando a ferrovia como um dos principais ativos de infraestrutura para captação de capital estrangeiro na América Latina nos próximos anos.
Fonte: Pensar Agro
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