Agro
Mercado Reduz Estimativa de Inflação para 2026, Mas Mantém Crescimento do PIB e Juros Estáveis, Aponta Focus
As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) revisaram para baixo a projeção da inflação oficial do país em 2026. Segundo o boletim Focus, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 4,02% para 4,00%, ainda acima da meta de 3,00% estabelecida para o período.
Preços administrados sobem, enquanto IGP-M tem leve queda
A inflação dos preços administrados — que incluem tarifas reguladas ou controladas, como energia e combustíveis — subiu de 3,75% para 3,76%. Já o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), referência para contratos e aluguéis, teve redução na projeção, passando de 3,92% para 3,87%.
Estabilidade nas expectativas para 2027
Para 2027, o mercado manteve as projeções anteriores. A inflação medida pelo IPCA permaneceu em 3,80%, dentro de uma margem próxima à meta oficial de 3,00%.
A inflação dos preços administrados também ficou estável, em 3,71%, e o IGP-M seguiu com previsão de 4,00%.
PIB deve crescer 1,8% em 2026 e 2027, aponta mercado
As estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) seguem sem alteração: 1,80% tanto em 2026 quanto em 2027. O Banco Central, porém, está mais otimista. De acordo com o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado em dezembro, a autoridade monetária projeta crescimento de 2,3% da economia brasileira em 2026.
Selic e câmbio permanecem com projeções estáveis
O mercado financeiro manteve a previsão da taxa Selic — atualmente em 15,00% — em 12,25% para o final de 2026, o que representa uma expectativa de queda de 2,75 pontos percentuais ao longo do período. Para 2027, a taxa básica de juros deve recuar ainda mais, para 10,50%.
Em relação ao câmbio, a estimativa para 2026 continua em R$ 5,50 por dólar, enquanto a previsão para 2027 teve ligeiro aumento, passando de R$ 5,50 para R$ 5,51 por dólar.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
Agro
Projeto de R$ 20 bi da Ferrogrão ganha sinal verde para ligar Sinop a Miritituba
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos impasses mais arrastados da infraestrutura nacional ao declarar a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, norma que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão (EF-170). Por um placar de 9 votos a 1, o veredito joga por terra o principal obstáculo jurídico que mantinha congelado o projeto de 933 quilômetros de trilhos, planejado para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.
A decisão foi recebida pelo agronegócio como um marco regulatório essencial para atrair os R$ 20 bilhões em investimentos privados necessários para tirar a obra do papel. Sob a perspectiva macroeconômica, a Ferrogrão é vista como o eixo de ruptura da dependência crônica do modal rodoviário na BR-163, com potencial para reduzir em até 20% o custo do frete de commodities agrícolas, como soja e milho, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que atuou no processo, aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram atualmente cerca de 70% da produção nacional de grãos, mas os portos do Arco Norte escoam apenas 34% desse volume. A consolidação da ferrovia deve acelerar o redirecionamento desse fluxo, aliviando o gargalo logístico dos portos das regiões Sul e Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).
O julgamento foi balizado pelo voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou os argumentos de descumprimento de salvaguardas ambientais apresentados na ação original do PSOL. Moraes argumentou que o texto legal previu a devida compensação ecológica pela redução da unidade de conservação e destacou que o traçado ferroviário não intercepta terras indígenas homologadas, situando-se a quatro quilômetros da reserva mais próxima, a Terra Indígena Praia do Mangue.
O julgamento, que havia sido interrompido no ano passado, foi concluído com o voto do ministro Flávio Dino. Ao acompanhar o relator, Dino propôs condicionantes para a execução do projeto, determinando que qualquer alteração futura no perímetro da ferrovia não poderá afetar áreas indígenas em um raio de 250 quilômetros, além de defender que as comunidades tradicionais sejam ressarcidas ou tenham participação nos lucros caso sejam registrados impactos socioambientais imprevistos.
O único voto divergente foi do ministro Edson Fachin, que considerou inconstitucional a alteração de reservas ambientais por meio de Medida Provisória, rito utilizado na origem do projeto durante o governo de Michel Temer.
Com o desfecho na Suprema Corte, o projeto da Ferrogrão sai da arena jurídica e ingressa na fase de viabilidade técnica. O Ministério dos Transportes informou que aguarda a conclusão da análise de modelagem de concessão e matriz de riscos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar o edital de leilão.
Lideranças do setor produtivo, como a Aprosoja Brasil, avaliam que a segurança jurídica conferida pelo STF deve acelerar o crivo da Corte de Contas, posicionando a ferrovia como um dos principais ativos de infraestrutura para captação de capital estrangeiro na América Latina nos próximos anos.
Fonte: Pensar Agro
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