Brasil
Governo Federal empossa 829 novos auditores-fiscais do Trabalho aprovados no CNU
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, empossou nesta segunda-feira 829 novos auditores-fiscais do Trabalho, ao lado de representantes dos trabalhadores, dos empregadores e de organismos internacionais. Trata-se do maior ingresso da história da carreira e um marco na estratégia do Governo Federal de reconstruir e fortalecer o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Segundo Luiz Marinho, a realização do Concurso Nacional Unificado (CNU) representa um movimento decisivo de retomada institucional após anos de desmonte. O ministro ressaltou que o reforço no quadro só foi possível graças à decisão do povo brasileiro ao eleger um governo comprometido com o fortalecimento do Estado e com políticas públicas de proteção social. Ele destacou ainda que o modelo unificado ampliou transparência e igualdade de oportunidades, recompondo uma carreira essencial para garantir direitos trabalhistas em um país de dimensões continentais.
Luiz Marinho lembrou que a chegada da nova turma ocorre em um momento ainda marcado pelos impactos de políticas que precarizaram as relações de trabalho. “Por mais que comemoremos, nunca teremos auditores suficientes para olhar cada detalhe do Brasil, mas este concurso representa um passo decisivo”, afirmou. O ministro destacou que o ingresso permitirá ampliar ações de orientação e fiscalização, prevenir violações graves e fortalecer pactos setoriais entre trabalhadores e empregadores. “Quem cumpre as regras não precisa se preocupar; quem insiste em desrespeitá-las deve saber que o Estado voltará a estar presente”, concluiu.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, também destacou o caráter histórico do momento. Ela lembrou que o bloco destinado ao MTE no CNU, com 900 vagas, era um dos mais desafiadores, dado o longo período sem reposição e as perdas provocadas por aposentadorias. Para Esther Dweck, o novo modelo de concurso amplia a capilaridade e democratiza o acesso ao serviço público.
A ministra enfatizou ainda a importância da diversidade entre os novos servidores. Ela celebrou a presença significativa de mulheres, pessoas negras e pessoas com deficiência, reforçando que trajetórias diversas qualificam as políticas públicas. “Um serviço público que reflita o Brasil melhora a capacidade do Estado de compreender e responder à realidade. Vocês vão mudar a realidade da inspeção do trabalho no Brasil”, afirmou.
O diretor do escritório da OIT no Brasil, Vinicius Pinheiro, destacou que a posse reafirma o compromisso do país com padrões internacionais de trabalho decente. Ele lembrou que os auditores-fiscais são “guardiões da Constituição” na proteção dos direitos trabalhistas e que sua missão envolve prevenção, orientação técnica e contribuição para políticas públicas, conforme estabelece a Convenção nº 81 da OIT.
Representando as centrais sindicais, o secretário nacional de Assuntos Jurídicos da CUT, Valeir Ertle, afirmou que a recomposição do quadro é uma reivindicação histórica. Ele destacou que o déficit de auditores é apontado anualmente pela OIT e que a nova turma será fundamental para enfrentar a informalidade, combater fraudes como a pejotização indevida e proteger milhões de trabalhadores.
O setor empresarial também saudou o ingresso dos novos servidores. O diretor de Relações do Trabalho e Sindical da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Clóvis Queiroz, destacou a importância de uma atuação técnica e equilibrada, sensível ao perfil majoritário de micro e pequenas empresas no país. “A atuação do auditor-fiscal deve unir rigor e sensibilidade”, informou.
O secretário de Inspeção do Trabalho, Luiz Felipe Brandão, ressaltou que a nova turma será decisiva para combater a informalidade, prevenir acidentes, garantir o cumprimento da legislação e ampliar a formalização, medidas que impactam diretamente a vida dos trabalhadores e as contas públicas. Ele destacou o caráter transformador da carreira e parabenizou os novos servidores pela conquista.
Também participaram da solenidade o presidente da Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, deputado Léo Prates; representantes da Anafitra e do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho; a secretária-executiva adjunta do MTE, Luciana Nakamura; e a diretora de Gestão de Pessoas do MTE, Débora Hernandes Figueira.
Reforço histórico e mais diverso para a Auditoria Fiscal do Trabalho
A posse dos 829 novos auditores, selecionados no CNU, primeira seleção federal em modelo unificado, representa o maior ingresso em mais de uma década e fortalece significativamente a capacidade estatal de fiscalização.
Do total de empossados, 32% são mulheres, elevando para 36% a participação feminina na carreira. Além disso, 46 pessoas com deficiência passaram a integrar o quadro, que agora conta com 212 servidores PcD, o maior ingresso dos últimos 22 anos e que garante 5% de representatividade.
A diretora de Gestão de Pessoas do MTE, Débora Hernandes Figueira, destacou que a chegada dos novos auditores amplia o efetivo de cerca de 1.800 para quase 2.700 profissionais. Para ela, o reforço representa “um avanço histórico na diversidade da carreira e um passo essencial para fortalecer a atuação do Estado na proteção dos direitos trabalhistas”.
Confira a solenidade de posse dos novos auditores-fiscais do Trabalho aqui.
Brasil
Parteiras e parteiros indígenas de todo o Brasil se reúnem em encontro nacional
Entre os dias 08 e 11 de junho, a capital de Rondônia será palco de um movimento histórico: o primeiro Encontro Nacional de Parteiras e Parteiros Indígenas. Organizado pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, o evento não é apenas uma reunião técnica, mas um gesto de reconhecimento ao protagonismo de mulheres e homens que, há gerações, protegem os ciclos da vida e a sobrevivência física e cultural de seus povos.
O encontro responde a um chamado das próprias comunidades e busca reconhecer as “tecnologias da floresta”, à luz do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante três dias, representantes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), além de especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mergulharão em uma jornada de escuta sensível e troca de experiências.
Reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como figuras cruciais para a saúde materna, as parteiras tradicionais desenvolvem um saber construído na prática e na transmissão oral. Esse conhecimento acumulado será o centro das atenções em Porto Velho. A programação prevê diálogos sobre o preparo do corpo para a gestação, o uso de ervas medicinais e o cuidado com as adolescentes desde a primeira menstruação.
“Este encontro representa um passo importante no reconhecimento das parteiras e parteiros indígenas como guardiões de conhecimentos ancestrais”, destaca a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. Segundo ela, a iniciativa visa construir caminhos para que esses saberes sejam respeitados e integrados às políticas públicas de saúde.
Tecendo o futuro da saúde indígena
A metodologia do evento foi desenhada para ser tão profunda quanto os temas tratados. Atividades como a dinâmica “Tecendo Conhecimentos” e a construção da “Árvore do Conhecimento” permitirão que os participantes sistematizem suas práticas de forma coletiva.
O encontro ainda prevê a elaboração de dois documentos orientadores: o Guia de Parteira para Parteira, focado em boas práticas, rituais e o uso de kits de cuidado; e o Guia para Profissionais de Saúde, uma bússola para que as equipes de saúde saibam como acolher e articular as práticas tradicionais com a medicina biomédica de forma culturalmente sensível.
Ao promover esse diálogo intercultural, o Ministério da Saúde reafirma que a equidade e a integralidade do SUS só são plenamente alcançadas quando a espiritualidade e a autonomia dos povos indígenas são levadas em conta no ato de cuidar. O evento que se inicia em 9 de junho promete ser um marco onde a tradição e a modernidade se encontram para garantir que o nascimento em territórios indígenas continue sendo um ato de celebração da vida.
Leidiane Souza
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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