Agro
Setor produtivo alerta: corte linear de benefícios do PLP 128 encarece custo do agro
O corte de, no mínimo, 10% nos benefícios fiscais federais aprovado pelo Congresso acendeu o alerta no agronegócio. Mais de 40 entidades de produtores rurais e da agroindústria enviaram carta à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apontando risco de aumento do custo de produção, aperto nas margens e pressão sobre o preço dos alimentos caso o Projeto de Lei Complementar (PLP) 128/2025 seja sancionado.
O PLP 128/2025 determina uma redução mínima de 10% no conjunto dos incentivos de natureza tributária, financeira e creditícia concedidos pela União, com aplicação progressiva: 5% em 2025 e mais 5% em 2026, segundo a regra aprovada. Na prática, isso atinge desde desonerações de PIS/Cofins sobre insumos agropecuários até créditos presumidos usados pela indústria de alimentos, rações e cooperativas, além de regimes como lucro presumido em etapas da cadeia.
Na carta enviada à FPA, as entidades afirmam que o texto trata de forma indistinta instrumentos com funções diferentes e “corta por atacado” benefícios que, em muitos casos, foram desenhados para corrigir distorções, dar previsibilidade e sustentar a competitividade do agro brasileiro. O temor é que, sem diferenciar incentivos ineficientes de mecanismos que sustentam produtividade, emprego e exportações, o efeito seja direto no bolso do produtor: aumento de carga sobre insumos, aperto de margem e freio em investimentos.
Entre os pontos mais sensíveis para o campo estão a possível elevação de PIS/Cofins sobre insumos e o corte em créditos presumidos usados na comercialização de produtos agropecuários. Embora a carta não traga números de impacto por cadeia, as entidades alertam para risco de encarecimento dos alimentos e de maior volatilidade de preços ao consumidor, justamente em um cenário de custos ainda pressionados e endividamento elevado no campo.
Outro alvo de crítica é a vigência rápida das mudanças, sem estudo de impacto detalhado ou transição gradual por setor. Para o agro, isso aumenta a insegurança jurídica, desorganiza planejamentos de safra e pode travar investimentos de médio e longo prazo em produção, processamento e infraestrutura.
O Presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), disse que o PLP 128 vem na contramão de tudo o que se discute quando o assunto é competitividade do agro brasileiro. “Quando se corta, de forma linear, incentivos que foram construídos justamente para dar previsibilidade ao produtor, corrigir distorções históricas e garantir que o alimento chegue à mesa com preço acessível, na prática se está aumentando o custo de produção e empurrando esse custo para o consumidor. Não se trata de defender privilégio; trata‑se de preservar instrumentos que permitem ao produtor continuar investindo, gerando emprego e segurando a inflação dos alimentos”.
Para Isan, os benefícios fiscais ligados a insumos agropecuários não são uma benesse aleatória, são parte da estrutura de custo que permite ao Brasil disputar mercado com Estados Unidos, Argentina, Austrália e União Europeia. “Quando se mexe, de forma brusca, em desoneração de PIS/Cofins sobre fertilizantes, defensivos, energia ou em créditos presumidos da indústria de alimentos, o resultado é imediato: aperta a margem do produtor, encarece o produto industrializado e fragiliza a posição do país nas exportações. O risco é claro: perder espaço lá fora e pressionar o bolso de quem compra comida aqui dentro”, disse o presidente do IA.
“Outra preocupação central é o tempo e a forma. Você não muda a base tributária de um setor que trabalha com planejamento de safra de 12, 18, 24 meses como se estivesse apertando um botão de planilha em Brasília. Falta estudo de impacto por cadeia, falta transição, falta calibragem fina para separar o que é incentivo ineficiente daquilo que é espinha dorsal da competitividade. Sem esse cuidado, o que se instala é mais um ciclo de insegurança jurídica, atrasando investimentos em armazenagem, irrigação, tecnologia e agregação de valor, especialmente entre cooperativas e agroindústrias de pequeno e médio porte”, continuou Rezende.
“O agro está disposto a participar do esforço fiscal do país, mas isso precisa ser feito com critério, diálogo e previsibilidade. É perfeitamente possível ajustar contas públicas sem desmontar políticas que têm retorno comprovado em produção, emprego e arrecadação. O que se pede ao Congresso e ao governo é simples: sentar à mesa, medir o impacto cadeia por cadeia, preservar o que sustenta a competitividade e corrigir o que de fato não entrega resultado. Se o Brasil quiser continuar sendo protagonista na oferta de alimentos ao mundo, não pode tratar a política tributária do setor produtivo como um corte linear de planilha, sem olhar para as consequências no campo e na mesa do consumidor”, completou o presidente IA e da Feagro-MT.
Na mesma linha de Isan Rezende, carta enviada à FPA, as entidades reconhecem a agenda de ajuste fiscal, mas defendem que a revisão de benefícios seja feita com critério técnico, avaliação de custo-benefício e horizonte de previsibilidade. Na carta, pedem que Congresso e governo abram uma mesa de debate para medir os efeitos do PLP 128/2025 sobre as cadeias produtivas antes da sanção presidencial, argumentando que o agro não busca “exceção por conveniência”, mas segurança jurídica e políticas que preservem competitividade e capacidade de investimento.
Leia na íntegra a carta enviada pelas entidades, clicando aqui
Fonte: Pensar Agro
Agro
Cargill lança linha de nutrição para bezerras e novilhas leiteiras e reforça foco na eficiência da pecuária leiteira
A Cargill Nutrição e Saúde Animal anunciou o lançamento de uma nova linha de soluções voltada ao gado jovem no Brasil, com foco no desenvolvimento de bezerras e novilhas leiteiras. A iniciativa reforça a atuação da companhia em uma das fases mais estratégicas da pecuária leiteira, considerada determinante para a produtividade futura e longevidade dos animais no rebanho.
A nova linha combina nutrição especializada, suporte técnico e ferramentas digitais de acompanhamento, com o objetivo de apoiar produtores na formação de novilhas de alta performance desde os primeiros dias de vida.
Soluções globais adaptadas à realidade da pecuária brasileira
Desenvolvido em parceria com a equipe técnica global da empresa, o portfólio segue uma abordagem integrada que une escala internacional e aplicação prática local. As formulações e recomendações técnicas são padronizadas em diferentes países, mas adaptadas às condições de produção do Brasil.
Segundo a Cargill, essa combinação busca garantir maior consistência nos resultados, confiabilidade nas recomendações e geração de valor para produtores e técnicos envolvidos na cadeia leiteira.
O lançamento ocorre em um cenário de crescente profissionalização da pecuária leiteira, no qual eficiência produtiva, redução de perdas e melhoria dos índices zootécnicos tornam-se fatores decisivos para a competitividade do setor.
Desenvolvimento do gado jovem é determinante para produtividade futura
A empresa destaca que o manejo adequado nas fases iniciais do animal tem impacto direto no desempenho ao longo de toda a vida produtiva.
De acordo com Hilton Diniz, gerente de Soluções para Bovinos de Leite da Cargill Nutrição e Saúde Animal, a combinação entre nutrição, manejo e sanidade desde o nascimento é determinante para o potencial produtivo do rebanho.
“Quando trabalhamos de forma adequada a nutrição, o manejo e a sanidade desde os primeiros dias de vida, conseguimos produzir novilhas mais saudáveis, com melhor desempenho e maior capacidade produtiva no futuro”, afirma o executivo.
A companhia reforça que o investimento nessa fase contribui para a formação de animais mais eficientes, com menor incidência de problemas sanitários e melhor aproveitamento nutricional.
Tecnologia e dados ampliam gestão na pecuária leiteira
Além das soluções nutricionais, a Cargill também aposta na integração de ferramentas digitais para apoiar o produtor rural e equipes técnicas na tomada de decisão.
Entre as plataformas utilizadas estão Dairy Max, Start ROI e Dairy Enteligen, que permitem o acompanhamento de indicadores zootécnicos, formulação de dietas, monitoramento de ganho de peso e projeções de crescimento dos animais.
As ferramentas também oferecem suporte à análise financeira da atividade, aproximando a gestão técnica da gestão econômica das propriedades leiteiras.
Gestão do gado jovem ganha papel estratégico na produção de leite
A empresa avalia que a criação de bezerras e novilhas deixou de ser uma etapa apenas operacional e passou a integrar o núcleo estratégico da produção leiteira moderna.
Com o avanço da tecnologia e o aumento das exigências de eficiência no campo, o foco na fase inicial dos animais tem se consolidado como um dos principais fatores de melhoria de desempenho dos rebanhos.
Segundo Hilton Diniz, o objetivo da companhia é apoiar o produtor na obtenção de ganhos consistentes em saúde e produtividade, preparando os animais para expressarem seu máximo potencial ao longo da vida produtiva.
Pecuária leiteira avança para modelo mais tecnológico e eficiente
O lançamento da nova linha reforça a tendência de digitalização e intensificação tecnológica na pecuária leiteira brasileira.
Combinando nutrição de precisão, suporte técnico e ferramentas de gestão, o setor avança em direção a modelos mais integrados, capazes de reduzir perdas, melhorar a eficiência alimentar e aumentar a rentabilidade das propriedades.
Nesse contexto, o desenvolvimento adequado do gado jovem se consolida como um dos pilares centrais para o aumento da produtividade e sustentabilidade da atividade leiteira no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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