Brasil
Brasil lança chamado à ação global para fortalecer prevenção aos incêndios florestais
O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (6/11), durante a Cúpula do Clima de Belém, na capital paraense, o Chamado à Ação pelo Manejo Integrado do Fogo e Resiliência a Incêndios Florestais. Cinquenta países e três organizações internacionais aderiram à iniciativa, que destaca a importância do manejo integrado do fogo. A estratégia, que associa aspectos ecológicos, socioeconômicos e técnicos para prevenir e combater os incêndios florestais, já é implementada pelo Brasil por meio da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, sancionada em julho de 2024 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O lançamento da medida, liderada pelos Ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e das Relações Exteriores (MRE), ocorreu durante a primeira sessão temática da Mesa Redonda de Líderes: “Clima e Natureza: Florestas e Oceanos”, que teve a presença do presidente Lula e de chefes de Estado às vésperas do início da COP30. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também participaram.
O chamado reforça o manejo integrado do fogo como uma prioridade global compartilhada e reafirma o compromisso de ampliar a colaboração entre fronteiras e instituições, por meio do compartilhamento de tecnologias, conhecimentos e recursos. Também reconhece que os incêndios florestais representam um desafio transfronteiriço e multifacetado que afeta todas as regiões e defende uma ação conjunta que envolva governos, povos e comunidades locais, sociedade civil, academia e setor privado.
Além disso, a medida reafirma a necessidade de uma mudança de paradigma, com a transição da reação aos incêndios para estratégias integradas de prevenção. Valoriza, ainda, o uso tradicional e sustentável do fogo por povos indígenas e comunidades locais e reforça o fortalecimento das capacidades nacionais, da interoperabilidade e dos mecanismos regionais de cooperação.
O documento endossa a necessidade de intensificar os esforços para “conter e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030”, compromisso assumido por quase 200 países na COP28, em Dubai, e também pelo governo brasileiro, que tem avançado rumo à meta. De acordo com o sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de agosto de 2024 a julho de 2025 o desmatamento apresentou queda de 11,08% na Amazônia (o terceiro ano consecutivo de queda no governo Lula, que acumula 50% de declínio em relação a 2022) e 11,49% no Cerrado.
O Call to Action liderado pelo Brasil reforça a rede “Global Fire Management Hub”, hospedado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), como uma plataforma estratégica de cooperação para implementação de ações convergentes com a declaração.
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Brasil
Parteiras e parteiros indígenas de todo o Brasil se reúnem em encontro nacional
Entre os dias 08 e 11 de junho, a capital de Rondônia será palco de um movimento histórico: o primeiro Encontro Nacional de Parteiras e Parteiros Indígenas. Organizado pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, o evento não é apenas uma reunião técnica, mas um gesto de reconhecimento ao protagonismo de mulheres e homens que, há gerações, protegem os ciclos da vida e a sobrevivência física e cultural de seus povos.
O encontro responde a um chamado das próprias comunidades e busca reconhecer as “tecnologias da floresta”, à luz do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante três dias, representantes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), além de especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mergulharão em uma jornada de escuta sensível e troca de experiências.
Reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como figuras cruciais para a saúde materna, as parteiras tradicionais desenvolvem um saber construído na prática e na transmissão oral. Esse conhecimento acumulado será o centro das atenções em Porto Velho. A programação prevê diálogos sobre o preparo do corpo para a gestação, o uso de ervas medicinais e o cuidado com as adolescentes desde a primeira menstruação.
“Este encontro representa um passo importante no reconhecimento das parteiras e parteiros indígenas como guardiões de conhecimentos ancestrais”, destaca a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé. Segundo ela, a iniciativa visa construir caminhos para que esses saberes sejam respeitados e integrados às políticas públicas de saúde.
Tecendo o futuro da saúde indígena
A metodologia do evento foi desenhada para ser tão profunda quanto os temas tratados. Atividades como a dinâmica “Tecendo Conhecimentos” e a construção da “Árvore do Conhecimento” permitirão que os participantes sistematizem suas práticas de forma coletiva.
O encontro ainda prevê a elaboração de dois documentos orientadores: o Guia de Parteira para Parteira, focado em boas práticas, rituais e o uso de kits de cuidado; e o Guia para Profissionais de Saúde, uma bússola para que as equipes de saúde saibam como acolher e articular as práticas tradicionais com a medicina biomédica de forma culturalmente sensível.
Ao promover esse diálogo intercultural, o Ministério da Saúde reafirma que a equidade e a integralidade do SUS só são plenamente alcançadas quando a espiritualidade e a autonomia dos povos indígenas são levadas em conta no ato de cuidar. O evento que se inicia em 9 de junho promete ser um marco onde a tradição e a modernidade se encontram para garantir que o nascimento em territórios indígenas continue sendo um ato de celebração da vida.
Leidiane Souza
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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