POLÍTICA

02/03/2018 08:32

Número de seguidores não significa voto na urna, dizem analistas

Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná, Emerson Cervi, o número de seguidores nas redes sociais da internet, em termos eleitorais, representa pouca vantagem na disputa. “No Facebook quem tem mais seguidores é Gleisi Hoffmann (PT), que sequer consegue viabilizar sua candidatura à reeleição no Senado”, lembra. Com mais de um milhão de “seguidores” no Facebook, a senadora paranaense e presidente nacional do PT já admitiu que não deve disputar a reeleição para o cargo, preferindo candidatar-se à Câmara Federal. Gleisi é réu ao lado do marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, em processo no Supremo Tribunal Federal (STF) em que ambos são acusados pela operação Lava Jato pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Cervi afirma que os efeitos de patrocinar campanha na internet ainda são incertos. “O político ainda não sabe o que ele vai alcançar se pagar R$ 15. É a primeira vez em uma eleição nacional e não sabemos qual vai ser o efeito prático. As redes sociais podem ser úteis a quem está entrando (na política). Quem não tem telhado de vidro”, aponta.

“Christiane Yared (49.980 seguidores no Facebook), que está no topo da lista. Ela entrou nas redes sóciais há quatro anos, fez campanha, foi a segunda mais votada do Paraná, primeira na Câmara Federal. Não tinha telhado de vidro naquela campanha. Enquanto os outros tinham que responder e responder, ela estava se apresentando. Agora, se ela realmente se recandidatar, vai ter o problema da nomeação do marido na Itaipu por Michel Temer, depois desnomeação, o problema das votações do impeachment, da reforma trabalhista. Aí ela já passou a ter telhado de vidro. Não vai surfar tão bem quanto surfou na primeira eleição”, exemplifica.

Visibilidade - Para o pesquisador, até a eleição de 2014 os políticos só podiam contar com suas próprias redes, os próprios passos. Eles não tinham limites de atuação em suas páginas, mas eles não podiam pagar por espaço nos sites. “Isso (número de seguidores) é um efeito heterogêneo (desigual) para a visibilidade do político na rede e precisa ser minimizado no que diz respeito a transformação disso em votos. Existem políticos com base eleitoral muito localizada geograficamente. Esses independem de redes sociais. Outros que detém visibilidade pública há muito tempo, esses independem de redes sociais”, explica.

Narley Resende, do Bem Paraná. 


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