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Segunda-Feira, 31 de Dezembro de 2018 11:43

Pesquisa mostra que 61% dos brasileiros são contra a liberação da posse de arma; em Curitiba, procura por armamento está em alta

O total de brasileiros que se declaram contrários à liberação da posse de armas de fogo aumentou desde outubro, segundo a mais recente pesquisa Datafolha.

Em dezembro, 61% dos entrevistados disseram que a posse deve "ser proibida, pois representa ameaça à vida de outras pessoas". No levantamento anterior, de outubro, 55% concordavam com essa posição.

No mesmo período, a parcela de pessoas que considera a posse de armas "um direito do cidadão para se defender" oscilou negativamente, passou de 41% para 37%, ou seja, no limite da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Outros 2% não souberam responder.
Foram entrevistadas 2.077 pessoas em 130 municípios em todas as regiões do país, nos dias 18 e 19 de dezembro.

Durante o período eleitoral, o agora presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), falou em revogar o Estatuto do Desarmamento. Agora, neste sábado (29), afirmou que pretende assinar um decreto para permitir a posse de arma a todas as pessoas sem ficha criminal, além de tornar o registro definitivo, sem a necessidade de renovações, como hoje.

Entre os que declararam ter votado em Bolsonaro na última eleição, o direito de possuir uma arma é defendido por 53%. Quando questionados sobre a necessidade de facilitar o acesso a armas, contudo, 59% se disseram contrários.

O que vem sendo discutido internamente pelos membros do novo governo é fazer um decreto que altere aquele que regulamentou o Estatuto do Desarmamento em 2004. É uma forma de não precisar mexer na lei e retirar regras que possam dificultar o acesso das pessoas às armas.

Mulheres são maioria contra a liberação

As mulheres tendem a ver a liberação das armas de forma mais negativa: 71% delas são contrárias à posse, enquanto apenas 51% dos homens têm a mesma opinião.
O índice também varia de acordo com ensino e renda. Quanto mais anos de estudo, maior o apoio à liberação. Entre os entrevistados com ensino superior, 41% defendem que ter armas é um direito, a taxa cai para 34% entre pessoas com ensino fundamental.

Da mesma forma, quanto mais rica a pessoa, mais favorável ela é à liberação. Entre os entrevistados com renda familiar mensal de até 2 salários mínimos, 32% defendem a posse de armas. Já entre pessoas que ganham mais de 10 salários mínimos, esse percentual sobe para 54%. O Sul é a região mais favorável às armas do país, com 47%, enquanto o Nordeste é a que menos apoia a liberação, com 32%.

Quando indagados se é preciso facilitar o acesso às armas, apenas 30% dos brasileiros respondem que sim. Entre eles, 16% concordam totalmente - 14% concordam parcialmente. Entre os contrários, que somam 68%, a posição é mais enfática: 51% discordam totalmente e 17% discordam em parte.

Segundo o Estatuto do Desarmamento, para obter a posse de arma é preciso ser maior de 25 anos, ter ocupação lícita e residência certa, não ter sido condenado ou responder a inquérito ou processo criminal, comprovar capacidade técnica e psicológica e declarar a efetiva necessidade da arma. Já o porte é proibido, exceto para forças de segurança e guardas, entre outros.

Procura por armas está em alta em Curitiba

Na esteira do recrudescimento da criminalidade e da ascensão de Jair Bolsonaro, a procura por armas de fogo e cursos de tiro têm crescido exponencialmente em Curitiba nos últimos tempos. Segundo relataram empresários do setor, a demanda por armamento cresceu até 70% na cidade.

Gerente da loja Brasil Tática, especializada em armas e equipamentos táticos, Anderson Oliveira comenta que a procura por armas de fogo cresce desde o início do ano passado, antes mesmo das discussões eleitorais começarem a ganhar fôlego. O principal motivo para a alta demanda é a insegurança e a onda de violência que atinge o país, diz ele.

“A procura por arma de fogo está grande, até pela falta de segurança, que acaba sendo o principal motivo para o pessoal procurar uma arma. O cidadão viu que houve um alto índice de violência e que as forças de segurança pública não estão conseguindo conter”, afirma Oliveira, apontando ainda que na Brasil Tática a procura por armas teve crescimento de aproximadamente 70%.

No SK CLUBE, Adilson Sabbagh, proprietário do clube de tiro, comenta que a situação é parecida. Segundo ele, de segunda a sábado o clube está sempre lotado, desde a hora em que abre (às 9 horas) até a hora em que fecha (às 19 horas). O estabelecimento também comercializa armas e o crescimento nos últimos meses ficou acima de 50% tanto para a venda de armamento como na procura por aulas de tiro.

“Tanto para a compra de arma como para o curso de tiro e treinamentos tem tido bastante procura. A maioria (dos interessados) diz que é por questão de segurança pessoal, defesa da casa, se sente mais seguro. Mas é o que eu sempre falo: primeiro tem de saber atirar para depois ter a arma, senão não adianta”, comenta o Sabbagh. “Por mês estamos tendo uma média de 500 pedidos para compra de arma”, complementa.

Não são todos os estabelecimentos que vendem legalmente armas, contudo, que estão com as vendas em alta. Na Softgun, por exemplo, Cleto de Almeida Gonçalves Junior, proprietário, diz que as vendas, após atingirem o ápice em 2013 no "pós-Estatuto do Desarmamento", tiveram quedas nos últimos meses, principalmente por conta da crise econômica. “Caiu um pouco, mas em função da crise. Não é barato comprar uma arma, os trâmites também têm um valor elevado e é bem difícil a retirada, que hoje leva cerca de 90 dias.”

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